quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Assassinato em Guinstock - Parte IV

A PRISÃO

Sem ter como impedi-los, George permitiu que levassem seu sobrinho ao sanatório Hendall Shewizars. Assinou os papéis e pediu ao mordomo que chamasse Robert. Ele desceu e ao ter sua prisão/internação decretada se assustou, mas não boquejou. Robert era inteligente, sabia que quanto mais esbravejasse, mais duvidariam de sua sanidade mental.
- Rob, não se preocupe, o sanatório é pertinho da cidade, nós o visitaremos todos os dias, não é Sarah? – disse George virando-se para sua esposa. Sarah com a mão a boca tentando conter o choro não disse uma palavra se quer... nem ao menos uma expressão se fez. Ela temia acalentar a pessoa que provavelmente matara sua filha.
Ao chegar a Hendall Robert ganhou uma camisa nova; branca, de manga longa e amarrada ao peito. Não lutou para vesti-la. Foilevado por um corredor longo onde se via todo o tipo de pessoas. Seu “quarto” ficava ao final do corredor. Como fora declarado perigoso não dividia o quarto com ninguém. As paredes eram estofadas e cheiravam a mofo. Robert entrou, sentou na cama, sua mala foi colocada no chão ao pé da cama e a porta se fechou. Duas horas mais tarde abriu-se novamente, uma enfermeira veio tirar-lhe a camisa de força, mas foi bem incisiva: “Qualquer problema que causar e te deixaremos um dia inteiro com esta camisa!” e bateu a porta ao sair. Foi um longo dia e uma noite mais longa ainda.
Logo depois do café da manhã, Robert recebe sua primeira visita: Stuart seu primo.
- Alguma novidade sobre os crimes? Passei a noite pensando nos detalhes, tentando juntar alguma peça que a polícia possa ter deixado passar...
- Relaxa primo, não tenho nenhuma novidade não... Mas a polícia está dando duro neste caso, não fique pensando nisso... tente pensar em coisas leves, alegres.. se não você vai surtar aqui dentro. Deixe este trabalho pra polícia.
- Mas e se eles não descobrirem o verdadeiro culpado? Vou passar o resto de minha vida aqui! Aí sim eu ficarei louco!
- E vai perder a credibilidade também.
- Ãh?? – pergunta Robert sem entender o teor do comentário de Stuart
- É que... bom primo, é que as pessoas não botam fé em dementes, né? Aí vão acabar achando que você nem era tão inteligente assim, mas simplesmente louco. Mas não se preocupe... vai dar tudo certo – Stuart abraça seu primo e vai embora.
Na mansão, Stuart conta aos pais que Robert está bem, George fica aliviado com a notícia, enquanto Sarah não sabe o que sentir, pois ainda não sabia ao certo em quem acreditar. Ela amava o sobrinho, mas imaginá-lo assassinando Paty a fazia ter calafrios.
Na mesa de jantar Stuart interrompe o silêncio com uma pergunta:
- Mãe, você acha que foi realmente Robert quem matou Paty e Billy? Tudo bem que ele é inteligente, mas ele é tão fracote e covarde... Acha que ele seria capaz?
- Não sei o que pensar filho, mas sei que Robert é muito mais inteligente do que imaginamos e por isso também pode ser mais forte do que pensamos...
- Parem de falar bobagem... Robert é um garoto amoroso, só está meio frio por causa da perda dos pais e de tudo isso agora... mas não creio que ele seria capaz de tamanha brutalidade – interrompe George.
Todos já haviam se deitado, o silêncio pairava sobre o casarão. Enquanto isso no sanatório Hendall Robert não conseguia nem se quer fechar os olhos, sua mente estava mais agitada que a Wall Street em dia de grandes negociações. Passou cada momento dos últimos dez dias em sua cabeça, viu, reviu e analisou cada detalhe dos crimes em sua mente e, então teve uma idéia. Retirou a argola que prendia o chaveiro em sua mala, esticou-a e depois de diversas tentativas conseguiu abrir a porta do quarto. Com os sapatos nas mãos e apenas meias nos pés saiu de fininho para não fazer barulho no corredor escuro. Assim que virou o corredor viu a porta dos fundos entreaberta, ao apontar a cabeça pela porta viu uma enfermeira fumando, virada de costas para a porta. Saiu praticamente como um fantasma e assim que alcançou uma posição fora do alcance da visão da enfermeira vestiu os calçados e correu o máximo que agüentou.
            Quase meia hora depois ele chega à mansão Wynston que se encontrava toda apagada, com exceção de um quarto. Robert entra pela porta dos fundos e ao passar pela cozinha não resiste, de uma forma extremamente silenciosa pega a faca mais afiada do faqueiro suíço de Sarah e sobe as escadarias. Será que Robert faria uma terceira vítima? E desta vez ele teria o álibi perfeito, pois para todos os fins ele se encontrava internado no Hospital Psiquiátrico Hendall Shewizars.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Assassinato em Guinstock - Parte III

A SEGUNDA VÍTIMA



Mais uma vez o sono da família Wynston é interrompido logo ao despontar do dia, só que desta vez o barulho vinha da entrada da casa. Alguém batia desesperadamente à porta. George se levanta e vai atender, ao abrir vê o Xerife com cara de sério e um leve desespero ao bater na porta:
- Sr. Prefeito, me perdoe incomodar sua família tão cedo, mas...
- Por favor Xerife, te perdôo, mas não faça rodeios, vá direto ao ponto!
- Então... Sabe o Billy? Aquele rapaz que deu escândalo ontem no enterro de sua filha...
- Sei sim, Sr. Xerife.... Billy Petterson, o melhor amigo de Paty. O que tem o rapaz?
- Está morto. Foi encontrado pendurado por uma corda no pescoço, dentro de seu próprio quarto.
- Oh, meu Deus! Mas porque ele teria se matado. Um jovem atleta, sem problemas com drogas ou coisa parecida...
- Este é o problema, senhor,  ele não se matou. Foi encontrado sinais de violência por todo o seu corpo. Inclusive, sua língua foi arrancada e pregada à porta de seu quarto. O que significa que foi mais um assassinato.
Stuart que havia acordado com o barulho e já estava ao lado do pai quando foi dada a notícia por completo, não se conteve:
- Mas pai, quem em Guinstock seria capaz de um ato tão brutal assim?! Isso nem parece humano!
-É, filho quem fez isso é um psicopata astuto!
Stuart meneou a cabeça, o xerife se despediu e foi tomar as medidas necessárias para a investigação, Sarah já estava ao pé da escada, mas Robert nem seu quer acordara.
O café da manhã foi recheado de comentários tristes de inconformismo, mas Robert não parecia muito perturbado... ele alegava que depois de ter visto a morte dos pais e a da própria prima, todas de forma brutal não se chocava com mais nada.
Um dia bem cinza se passou. Fim de tarde, George acabara de sair do banho; batem a sua porta. Sara desce a escadaria a atende, era o xerife novamente, mas desta vez acompanhado de mais dois guardas.
- Sra. Wynston,  o Sr. Wynston está? – perguntou o xerife com um misto de nervosismo e apreensão.
- Sim, aguarde só um momento que ele já está descendo... Sentem-se.
George desce as escadas penteando seus curtos cabelos grisalhos.
- Algum problema, xerife?
- Na verdade sim, Sr, Wynston. Para mim, o senhor e toda sua família sempre foram um exemplo de honestidade, por isso sinto muito pelo que tenho que fazer agora...
- Sem rodeios, xerife, sem rodeios. Diga logo.
- Eu e meus homens estamos aqui para cumprir um mandato de prisão ao Sr. Robert James Wynston como principal suspeito do assassinato de sua filha e de Billy Petterson.
- O que?? Vocês estão dizendo que meu próprio sobrinho matou minha filha? E o Billy?
- Bom, pelo menos é o que nos indicam as evidências, veja bem Sr. Wynston, estamos aqui apenas cumprindo nossa função, chamei o senhor antes de efetuar a prisão em respeito aos anos de amizades que temos. E exatamente pela consideração que tenho pelo senhor e por sua família é que cobrei alguns favores na polícia e consegui que não enviassem seu sobrinho para a penitenciária da capital. Como ficou clara a natureza demente do assassino consegui fazer com que Robert fosse internado no sanatório Hendall, aquele na estrada perto daqui.
- Vocês é que estão loucos! Eu não posso permitir que isso aconteça... esse garoto já sofreu demais!! – gritou George já fora de si.
- Sinto muito, Sr. Wyston, mas levaremos Robert conosco, quer queira ou não! – disse um dos guardas encerrando a discussão.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ASSASSINATO EM GUINSTOCK - Parte II -

O GRITO


A casa toda foi acordada tamanha foi a intensidade e o volume do grito. De pijamas, despenteados e desnorteados todos correram para descobrir o que havia acontecido. Na porta do quarto de Patrícia estava Sarah totalmente “apagada”. George rapidamente tentou socorrê-la, acabou nem olhando para dentro do quarto, mas logo percebeu que algo não estava certo quando viu que ambos os rapazes (Robert e Stuart) estavam paralisados e boquiabertos olhando imóveis para dentro do quarto. Ao olhar George ficou chocado com a cena: Patrícia jazia em sua cama, brutalmente esquartejada... havia sangue pelas paredes de todo o quarto!
            A polícia investigou da melhor maneira possível, mas não encontraram pista alguma, o assassino era astuto.
            A comunidade de Guinstock ficou chocada com o crime. Foi declarado luto oficial na cidade. No enterro, uma surpresa nada agradável. O pastor acabara de fazer a cerimônia fúnebre, os parentes e amigos se despediam de Patrícia enquanto seu caixão era vagarosamente baixado ao sepulcro. De trás de todas as pessoas que conheciam Patrícia (e que não eram poucas) surge um rapaz gritando. Ele parecia ter mais ou menos a mesma idade de Patrícia, alto, corpo atlético e olhos marejados de lágrima... parecia transtornado.
- Foi ele! Eu sei que foi ele! Ele não gostava da Paty porque ela o chamava de babão! Foi ele quem a matou! – gritava o rapaz desesperado apontando para Robert – Eu falei com ela ao celular ontem a noite, eu sei que houve uma discussão no jantar e por isso ele a matou!
            Autoridades e parentes tentavam acalmar o rapaz, mas o escândalo já estava armado, todos cochichavam e apontavam pra Robert. Robert tentou segurar as emoções se fazendo de durão e Stuart, seu único amigo e primo, tentava acalmá-lo. Depois de um imenso burburinho todos voltaram para suas casas. A pequenina cidade parou. Parou por um dia inteirinho!
            Ao anoitecer, as luzes da mansão Wynston parecia uma árvore de Natal a brilhar em uma sala escura. Na sala de jantar, todos comiam soluçando, o clima ainda era de velório.
- Robert... eu sei que você não seria capaz, mas acho que todos precisam ouvir de sua boca... Foi você quem matou Patrícia? – Perguntou George com um nó na garganta.
Sarah desatou a chorar antes mesmo de ouvir a resposta, Stuart a consolava também derramando lágrimas sobre a mesa.
- Não, tio! Eu jamais faria uma coisa dessa... No fundo ela tinha razão... eu não passo de um bobo. Não matei Patrícia!
- Eu acredito em você, Robert... Mas agora acho que deveríamos todos ir dormir... Estamos todos muitos cansados... E ver esse lugar vazio na mesa está esmigalhando meu coração. Boa noite a todos - disse George já se levantando.
Foram todos dormir.
Perturbada por um pesadelo, Sarah desce até a cozinha e vê Robert entrando pela porta dos fundos, ao ver sua tia se assusta e gaguejando pergunta:
- O que está fazendo acordada uma hora dessas, tia?
- Vim beber um copo d’água... e você... o que fazia lá fora? – Sarah pergunta intrigada.
- Eu... eu fui tomar um ar... tive um pesadelo...
- Está bem, Robert, agora vá para seu quarto e tente dormir.
Sarah bebe sua água e também vai se deitar. Logo pega no sono, um sono tranqüilo... pelo menos até o amanhecer.

(Aguardem a continuação)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ASSASSINATO EM GUINSTOCK



            Guinstock era uma pacata cidadezinha do interior dos Estados Unidos, de arquitetura arcaica com um leve toque medieval, localizada ao redor de uma verde colina, na qual estava uma de suas construções mais antigas: a mansão da família Wynston.
            Por décadas, aquela cidade foi apenas um vilarejo; humilde e sem criminalidade alguma, governada por um prefeito chamado George Wynston, reeleito inúmeras vezes. Ele governara Guinstock por anos a fio e tudo corria muito bem, até que um sobrinho seu, Robert James Wynston (que morava na capital), perdeu os pais em um trágico acidente e, sem ter para onde ir, foi morar na mansão Wynston.
            George tinha uma típica família norte-americana; sua esposa se chamava Sarah e seus dois filhos Stuart e Patrícia Wynston. A casa era sempre cheia de criados e empregados. Todos aceitaram com carinho a chegada de Robert na mansão Wynston, exceto Patrícia... uma jovem arrogante e preconceituosa de 16 anos que não gostava do primo por ele ser um pouco diferente. Robert era inteligente demais, por isso de vez em quando tinha um comportamento meio bobo e infantil, e Patrícia não gostava disso. Já Stuart (um pouco mais velho) admirava a inteligência de Robert, mesmo com seu comportamento típico de um nerd. Mas de certa forma as atitudes imaturas de Robert o ajudava a conquistar muitas pessoas, o que Stuart não conseguia com seu temperamento rebelde. E então se formou um elo entre os dois. Iam para a escola juntos, saíam juntos... e isso tudo fazia crescer a raiva de Patrícia em relação a Robert, seu “primo babão”, como ela o chamava.
            Em uma noite escura de inverno, após todos terem jantado. Patrícia começa uma discussão:
            - Pai, por que este bobo tem que morar com a gente? Eu tenho vergonha de trazer minhas amigas aqui e elas virem que tem um idiota na minha casa!
            - Patrícia! Seu primo não é nenhum idiota, muito pelo contrário, ele é muito inteligente, por isso é diferente! Agora peça desculpas ao Robert! - Interviu severamente George.
            - Mas pai...
            - Deixa pra lá, tio George, eu não me importo. Um dia ela aprenderá a me valorizar... eu sei que vai.
            - Vai sonhando, seu nerd idiota! - disse Patrícia com repulsa em seu olhar.
            - Patrícia, já pra cama. Não te ensinei a ser mal-criada desta forma! – Disse Sarah Wynston com dedo em riste apontando para a escadaria de acesso aos quartos.
            Patrícia nem se quer respondeu, simplesmente bufou, deixou a mesa socando cadeira e foi para o quarto pisando duro, como se os degraus da escadaria tivessem alguma culpa. Minutos depois se ouve o bater de sua porta com fúria.
            O jantar não era mais o mesmo... um clima constrangedor pairou pelo ar. "Perdoe a Paty, Robert... ela não quis realmente dizer isso... sabe como é adolescente, né?!" disse Sarah toda polida. Robert só balançou a cabeça em aprovação... ele não parecia ter guardado rancor por causa daquela crise de histeria de sua prima. Algum tempo mais tarde todos se recolheram.
            O quarto de Patrícia ficava ao lado de Robert, que era encostado ao de Stuart. Foi uma longa e silenciosa noite... Cortada bruscamente, no início da alvorada, por um grito estridente de pavor vindo do quarto de Patrícia.
 

Retomando as atividades...


Estive fora por algumas semanas. Muitos compromissos fora da da cidade.
E esta semana ainda tenho a correria de fechar as turmas na escola onde dou aulas e também por em dia todo o serviço que acumulou no outro emprego.
Portanto não tive tempo de compor coisas novas, mas vou postar aqui um conto que escrevi em Julho de 1997. Eu tinha 16 anos na época... é meio estranho, mas vale a pena ler.
Beijos a todos e prometo que voltarei a todo o vapor dentre algumas semanas!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


WHEN YOU SMILED
YOU HAD MY UNDIVIDED ATTENTION
WHEN YOU LAUGHED
YOU HAD MY URGE TO LAUGH WITH YOU
WHEN YOU CRIED
YOU HAD MY URGE TO HOLD YOU
WHEN YOU SAID YOU LOVED ME
YOU HAD MY HEART FOREVER

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A ÚLTIMA CANÇÃO


Se esta fosse minha última canção
Ela tocaria seu coração?

Se esta fosse minha última canção
Eu não falaria sobre romances surreais
Nem sobre conto de fadas ideais
Talvez falaria sobre amor... ou
Sobre dor... na verdade não sei diferenciá-los.

Se esta fosse minha última canção
Seria ela uma balada, um rock ou uma canção pop?
Não, ela seria um blues... daqueles bem azuis.
Não que minha vida tenha sido toda blue (down)
Mas também não foi um mar de rosas.

Se esta fosse minha última canção
Eu dedicaria às juras de amor que não fiz
À boca que não beijei, aos braços que não me afagaram
Aos cabelos que não toquei
Dedicaria aos beijos, abraços, carinhos e flores que não ganhei

Se esta fosse minha última canção
Eu tocaria... Não, eu não sei tocar instrumento algum
Eu cantaria... Não, melhor não
Eu pediria ao vento que levasse cada uma dessas palavras
Aos quatro cantos do mundo!

Pediria ao vento que encontrasse você pra mim
E que ele te trouxesse para perto
Para que eu pudesse, olhando em seus olhos
Dizer de coração aberto
Eu te amo como você é... exatamente assim!

Se esta fosse minha última canção
Talvez eu a dedicasse a você
O grande amor de minha vida... que ainda não conheci
Mas... se esta fosse minha última canção
Ela tocaria seu coração?

terça-feira, 9 de novembro de 2010




IF YOU'RE ALONE
I'LL BE YOUR SHADOW
IF YOU WANT TO CRY
I'LL BE YOUR SHOULDER
IF YOU WANT A HUG
I'LL BE A PILLOW
IF YOU NEED TO BE HAPPY
I'LL BE YOUR SMILE
BUT ANYTIME YOU NEED A FRIEND
I'LL BE JUST ME!

sábado, 6 de novembro de 2010

VERDADEIRO AMOR


Amar não é apenas dizer “EU TE AMO”;
é demonstrar isso a cada instante cotidianamente.
Amar é dar a preferência; é ser feliz ao ver feliz quem se ama.
É chorar com quem ama, é compartilhar de todos os sentimentos,
 emoções e tudo o mais e não achar que tudo isso é um tolo sacrifício.

O verdadeiro amor lança fora todo o medo.
Quem ama de verdade não teme opiniões alheias
ao dar um afago em quem se ama.
Não teme dizer “EU AMO VOCÊ” não importando as circunstâncias.
Não teme amar mais e mais incondicionalmente!
O “pseudo-amor” amarra, prende, domina. Tem-se posse de alguém.
Controla-se sua vida, suas atitudes, seu agir.
É querer a companhia constante de alguém não se importando
se ela(e) está feliz ou não com isso.

O verdadeiro amor liberta... e é livre!
Liberta de medos e preconceitos, de inseguranças e impurezas.
Traz conforto e paz ao coração de quem ama e de quem é amado.
Quem ama de verdade é livre para amar cada vez mais.
É livre para abraçar e beijar sem se preocupar;
para amar e demonstrar sem se importar com o que irão pensar.
É livre para amar sem distinção de sexo, raça ou status, pois é Ágape
e está muito além da carne!

O verdadeiro amor não arde em ciúmes.
Ciúmes é um sentimento fraco; é uma insegurança,
receio de se perder algo que possui.
ou desejo de se ter algo que não possui...
É incompatível com o verdadeiro amor, que é forte.
Não há que se falar em temer o fim,
pois o verdadeiro amor é eterno e incondicional
Não necessita temer a perda,
pois o amor não é posse... é completar e não dominar.
Não deseja algo que não possui,
pois o verdadeiro amor é completo e perfeito.
Sim, perfeito como Deus o é!

O verdadeiro amor é sim um dom divino,
porém habita em seres imperfeitos como nós...
Que o confunde, o esconde, o distorce e o complica.
O verdadeiro amor é simples, não carece de explicação e sim atuação.
Dispensa até mesmo estas humildes linhas traçadas na vã tentativa de defini-lo.
Dispensa palavras bonitas e todo o embaraço,
mas pode ser encontrado em coisas simples,
como um sincero carinho ou um terno abraço

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Semeando amor


Ao chegar à porta da sala de aula, assim com todas as outras salas, a turma já estava em alvoroço.
Na frente da turma, em pé, estava o engraçadinho da classe fazendo gracejos e tirando risadas de alguns. Na lousa ainda se encontrava o texto passado pelo professor da aula anterior, o qual um terço da sala ainda copiava.
Dirigi-me até minha mesa logo depois de cumprimentar a sala. O engraçadinho não se intimidou continuou dançando a aprontando. Um aluno pediu, encarecidamente, para que eu deixasse a matéria na lousa por pelo menos mais cinco minutos. Não recusei. Enquanto isso fui fazendo chamada e organizando meu material na mesa. Ouvi um garota pedir educadamente ao colega (que ainda estava na frente da sala) para que se sentasse, pois ela não conseguia ver a matéria na lousa, mas ele nem se quer se incomodou, ao contrário, agora fazia gracejos com os braços levantados para cobrir mais ainda o texto.
- Teacher! – Ouvi uma voz feminina me chamando. Virando-me na direção do som vi quem me chamava, uma garota que não era das mais inteligentes, mas com certeza uma das mais quietas, raramente se ouvia sua voz. Em cima de sua mesa uma caneta com a tampa mordida, um caderno surrado e um estojo de lata todo amassado e furado com apenas dois lápis dentro. A carteira atrás dela era a única vazia, ou seja, era exatamente onde devia estar sentado o engraçadinho.
Assim que respondi, ela continuou: “Pede pra ele dar licença, preciso terminar de copiar o texto”. Chamei a atenção do garoto que, não gostou nada, mas foi se sentar; e sentado começou a azucrinar a garota tímida sentada a sua frente. Ela, inabalada continuava a escrever serenamente.
Assim que terminaram de copiar apaguei a lousa para passar agora a minha matéria, mas ainda ouvia as pentelhações do garoto. Chamei a atenção dele de novo e desta vez fui mais rígida. Então ele se doeu, mas não podia descontar na professora, portanto decidiu que a culpada de tudo isso era a pobre garota a sua frente.
Enquanto eu escrevia na lousa ouvi de fundo o garoto pentelho determinando que daquele momento em diante ninguém mais conversasse com a garota. Dei mais uma bronca, porém não resolveu por completo, pois além de achá-lo engraçado a sala também o temia!
Percebi que a sala realmente a estava evitando. Assim que terminei, expliquei a matéria, tirei as dúvidas e mais uma vez voltei à lousa, desta vez para passar os exercícios. Mesmo de costas percebi o que acontecia, cada vez que alguém ameaçava falar com a garota ou responder a alguma pergunta dela:
- Já disse que não é pra falar com ela! – intervinha o garoto.
Assim que terminei de passar os exercícios na lousa expliquei e dei ordem para que fizessem.
Mais uma vez o garoto atentado se manifestou, agora dizia que não queria fazer o exercício; firmemente o adverti que fizesse mesmo assim e ele surgiu com outra desculpa “Mas não tenho lápis, teacher”. Sem amolecer respondi: “Empresta de alguém!”. Então ele se levantou para perguntar aos seus colegas quem poderia lhe emprestar um lápis. Continuei caminhando pela sala e ajudando os alunos com dificuldades.
Várias vezes o ouvi repetindo a mesma pergunta, mas parece que ninguém tinha um lápis extra. De costas para ele pensei comigo “É pouco pra ele! Ninguém mandou judiar da coitada!” Então um som que eu não esperava ouvir cortou meus pensamentos maléficos, um estalar de lata me chamou a atenção, virei imediatamente para conferir.
A garota tímida abria o estojo, pensei “ela deve ter terminado de copiar os exercícios e agora vai resolvê-los”... Ledo engano! A garota pegou o maior lápis de seu estojo e virou-se para trás estendendo-o ao garoto; ele levou alguns segundos para entender a situação. Sua luta interna foi perceptível, mas ele não tinha outra opção. Na classe pairava um silêncio absoluto; alguns alunos, assim como eu, assistiam à cena imóveis. Ele esticou o braço e pegou o lápis da mão da garota, sentou-se, abaixou a cabeça e em silêncio constrangedor começou a responder os exercícios. Ali, naquele momento ela teve a grande chance de se vingar, poderia ter feito um longo discurso a fim de humilhá-lo mais do que ele próprio já se sentia; poderia ter xingado, ter dito o famoso “viu só?”, ou simplesmente o ignorado como ele queria que a sala toda fizesse com ela. Porém ela teve uma atitude que somente o próprio Cristo e muitos poucos mortais teriam, pagou o ódio com amor!
Durante resto da aula tive dificuldade para engolir... eu tinha um nó na garganta. Naquele dia fui para casa ciente de que jamais esqueceria aquela cena, em que vi na prática algo que só conhecia na teoria... é possível semear amor em solo árido!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SERÁ??

            Será que ainda existe romance a moda antiga?
            Será que é errado sonhar com um casamento (com direito a véu e grinalda) para a vida toda?

            Os homens fingem não se importar mais com sentimentos e coisas semelhantes; tratam as mulheres como objetos e priorizam a quantidade ao invés da qualidade de relacionamentos.
            As mulheres resolveram que devem ser iguais aos homens em tudo. (Será que só eu vejo que mulheres SÃO diferentes de homens?!?). Com isso elas trocaram:  ter portas abertas e cadeiras puxadas, receber cartas românticas e flores, ser convidada para jantar a dois sem pagar a conta, ser tratada com toda a delicadeza e amor por ser o sexo frágil... dentre outras coisas lindas POR: jornada dupla de trabalho, rachar contas, ser tratada com as mesmas grosserias com que os homens tratam seus amigos e assim por diante.
            Os homens não cortejam mais. Não se dedicam a uma só mulher, não mandam flores nem chocolates, não escrevem cartas ou poemas, tão pouco fazem serenatas (acreditem isso existia!). As mulheres, em contrapartida, tomam iniciativa na hora de “ficar”, dizem também ter desejo por sexo sem sentimentos (como homens), não se dedicam mais a um homem só as vezes até mesmo beijando vários deles na mesma noite.
            MEU DEUS, no que transformaram os relacionamentos?!?!?!?!
            Onde está o amor (em sua pura essência)?
            Tudo bem que contos de fadas não existem. Mas será que devemos abaixar tanto nosso padrões? Será que devemos simplesmente ignorar o fato de que, no passado, divórcio e traição não eram tão freqüentes e comum quanto duplas sertanejas?! (Ps: até elas mudaram).

            As vezes me sinto um alienígena por acreditar e desejar um amor para a vida toda. Por não desprezar meu corpo a ponto de entregá-lo nas mãos de outroS.
            Mas sabe de uma coisa? Se os ensinamentos de Jesus funcionam até hoje, por que seria diferente com seus padrões?
            Portanto, alien ou não, não deixarei de viver os princípios nos quais acredito só porque a maior parte das pessoas os ignora. Afinal, “as vezes, a maioria significa que todos os tolos estão do mesmo lado”.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Coração de Pedra (III)

Parte III - O desfecho final




           Pouco depois das dez, no dia seguinte, Sofia foi acordada com seu telefone tocando. A música a fez sorrir (“It´’s always better when we’re together...”), atendeu ainda sonolenta “A-alô?”
            - Te acordei Sofi? – Era Luiz
            - Sim! – ela respondeu rispidamente.
            - Então se troca, porque daqui a pouco estarei chegando aí com o pão pra gente tomar café da manhã e bater papo.
            - Tá... Tchau!
            Assim que desligou Sofia foi se trocar resmungando... “Aposto que agora ele quer contar como foi a noite de sábado com a moça bonita do segundo ano... E eu como boa amiga terei que ouvir tudo!”
            Já começou a se preparar psicologicamente, pois teria que fazer um esforço sobre-humano para não demonstrar sua indignação.
            Vestiu um jeans, camiseta e um par de chinelos e foi para cozinha organizar a mesa e tudo o mais. Se ela gostasse realmente dele teria que desejar sua felicidade (ainda que fosse com outra pessoa), portanto lutava contra seus próprios pensamentos que desejavam que aquela mocréia fosse atropelada!
            Seu devaneio foi interrompido pelo som do interfone. “Pode subir” disse em tom amigável já liberando o portão do prédio. Abriu a porta e lá estava ele com um saco de pães que pareciam estar quentinhos. “Como ele consegue ser tão bonito mesmo uma hora dessas da manhã?!? CONCENTRE-SE Sofia! Ele não passa daquele seu amigo que tanto já te sacaneou!”. Assim que voltou desta luta interna convidou-o para entrar.
            O papo entre os dois fluiu como sempre acontecera. Falaram sobre o clima, sobre a semana de testes que já acabara, sobre as eleições, sobre a vitória do time para o qual torciam (acreditem, eles torciam pelo mesmo time)... conversaram sobre tudo menos a moça que ele havia beijado. Por um lado Sofia estava satisfeita em não ouvir o nome da mocréia (este apelido combinava melhor com ela), mas por outro lado sua curiosidade feminina a estava corroendo por dentro! Arriscou:
            - E a moça bonita do segundo ano? – Se Sofia usasse o apelido que dera a ela talvez Luiz não soubesse de quem ela estava falando.
            - Então, Sofi. Este é um dos motivos de minha visita... eu precisava falar contigo... e é sério. Sei que seu coração de pedra não entende muito de sentimentos, mas...
            Sofia tossiu engasgada com o gole de leite que acabara de colocar na boca. “Não acredito que ele veio até meu apartamento para me contar que está apaixonado por aquela mocréia!” Sofia não parava de tossir repetidamente, já estava com o rosto avermelhado.
            - Você está bem, Sofi? Quer um pouco d’água? O que posso fazer?? – perguntou Luiz já desesperado batendo nas costas de Sofia e levantando seus braços.
            Ela tinha que se livrar desta situação, era tudo muito recente, não sabia se suportaria ouvir da boca dele que estava apaixonado por outra pessoa... sua covardia estava impelindo-a a agir.
            - Sabe o que é, Luiz, lembrei-me que tinha marcado de fazer um trabalho na casa da Érika e já estou atrasada – disse Sofia já empurrando Luiz porta a fora.
            - Mas nem dá para gente conversar mais um pouco? Você é minha melhor amiga!
            A palavra amiga fez Sofia empurrá-lo com mais força ainda. Passou direto pelo elevador e, aproveitando-se de morar no primeiro andar acompanhou-o até o portão.
            - Sinto muito, Luiz, mas não posso deixar de ir, preciso de nota desta matéria – Sofia estava simplesmente metralhando as palavras, suas mãos tremiam, sua musculatura estava enrijecida. Ela realmente parecia desesperada, tinha perdido o controle de suas emoções e atitudes!
            Já pra fora do portão Luiz virou-se pra Sofia, segurou seus dois ombros apertando-os firmemente, olhou sério em seus olhos e disse em voz alta: “Pára! Já que não quer ouvir... sinta!” Colocou as duas mãos segurando firmemente a nuca de Sofia e suavemente beijou-lhes os lábios. Um beijo doce, macio e carinhoso. As pernas de Sofia amoleceram, aliás toda sua musculatura amoleceu; a tremedeira de repente passou, ela sentia como se estivesse derretendo nas mãos dele. Luiz foi se afastando de sua boca suavemente e Sofia não conteve um gemido de desapontamento “Por que parou?” ela pensou. Luiz sorriu, segurou as duas mãos de Sofia e olhando em seus olhos sussurrou:
            - Perdão, mas eu precisava fazer isso... Precisava provar seu beijo, o que só confirmou o que vim dizer: ficar com a moça do segundo ano só me fez perceber que eu amo você... era você que eu queria beijar, você que eu queria abraçar... e isso já faz um tempo, mas quando você disse que estava apaixonada por outro cara achei que também tinha que tentar amar outra pessoa, e...
            - Era você o cara! – Sofia interrompeu-o abruptamente – Todo esse tempo era você o cara por quem eu estava apaixonada, e...
            Agora foi a vez de Luiz interromper, mas não com palavras, porém com outro beijo, desta vez mais carinhoso e mais demorado.
            E ali ficaram por um bom, tempo curtindo um ao outro, como se de repente tivessem voltado a ser criança e estivessem descobrindo um mundo novo... o mundo do verdadeiro amor.

sábado, 9 de outubro de 2010

Coração de Pedra (II)

Parte II - A decepção

           Sofia se arrependera amargamente de não ter contado toda a verdade a Luiz, pois contara somente parte dela (“estou apaixonada”) e agora tudo tinha ficado mais difícil, afinal uma hora ou outra ele iria querer saber “por quem”.
            Sofia andava desatenta nas aulas, tirou algumas notas baixas; no serviço seu rendimento havia caído, derrubava objeto com mais freqüência do que uma criança que está desenvolvendo a coordenação motora, e sua memória... memória?!? O que é isso?? Ela já não tinha mais.
            Mas como se não bastasse tudo piorou naquela noite de sexta-feira em que faltou da aula. Não estava a fim de sair, alugou um bom filme e (como já fizera infinitas vezes) instintivamente ligou para Luiz... e desligou. “O que ele vai pensar?” pensou consigo mesma... “eu o convidando para um filme numa sexta a noite?!! Ele vai perceber” Este convite não seria diferente de muitos outros que Sofia já fizera, mas agora tinha outro peso, pois apesar de não ter confessado a Luiz seu amor por ele, ela havia dado um passo que levara anos: assumira para si mesma!
- Bobagem minha - conclui e ligou novamente.
- Alô? - o coração de Sofia pulou em seu peito. “Oi, Luiz, tudo bom? Está a fim de ver um filme? É de ação, com aquele cara que você curte, o...”
- Não, Sofi, hoje não estou a fim, além do mais vou para faculdade.
Sofia só conseguiu se despedir e desligar. E ele nem deveria ter aulas muito importantes.
Se convencendo que não era nada assistiu sozinha o filme. Horas mais tarde, depois de um copo de leite e já de pijamas ouviu de longe uma canção conhecida, correu e atendeu o celular esbaforida: “Luiz? Aconteceu alguma coisa?”. Afinal já passavam da meio-noite.
- Sabe aquela moça bonita da faculdade... aquela que te falei... então, hoje a beijei!
Sofia só conseguiu dizer “Legal” que mais parecida um gemido de dor que uma palavra. Por instantes achou que haviam roubado seu chão... E então os minutos que se passaram pareciam uma eternidade. Luiz contou detalhadamente tudo o que aconteceu em seu encontro que, por sinal, fora o motivo de não querer ver o filme com Sofia. “Mas você não tinha aula hoje?” – perguntou Sofia tentando esconder o tom de revolta.
- Tinha, mas nem era muito importante.
Sofia não suportou mais três frases e disse que tinha que dormir, desligou logo sem seguida e corre para o quarto, agarrou a primeira coisa ao seu alcance (um urso enorme de pelúcia marrom como seu cabelo) e pulou em sua cama.
Chorou muito até pegar no sono. Na manhã seguinte se levantou e, arrastando o urso com o qual dormira abraçada a noite toda, foi tomar café.
Mil e uma perguntas e teorias passavam por sua cabeça, “Será que ele gosta daquela moça? Ela nem é tão bonita assim. Será que se ele soubesse de tudo teria ficado com ela mesmo assim?” Bom, mas ele não sabia de nada e estava simplesmente contando um novidade para uma amiga... amiga, ela queria ser muito mais que isso.
            Passou o dia se arrastando pra lá e pra cá, apertando o urso contra o peito inconformada com o rumo que tudo aquilo havia tomado. Tudo era tão mais fácil antes, pelo menos seu coração de pedra não doía tanto... Nem viu o dia passar e logo anoiteceu. Colocou o pijama novamente e se deitou, foi então que se deu conta que aquele era o urso que Luiz havia lhe dado ano passado... começou a rir... passara o dia todo com um urso de pelúcia; como aquilo parecia atitude de garotinha acuada! Chegou a até se imaginar uns centímetros mais baixa e alguns anos mais nova. Ainda sorrindo apertou forte Luigi (esse era o nome do urso), virou-se e dormiu.

Ps: Aguardem a Parte III - O desfecho final

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Coração de Pedra (I)

                               
Parte I - Desabafo pela metade:
              
             Sofia não podia mais conter aquilo dentro de si. Seu estômago parecia uma panela com óleo fervendo onde fora jogado um punhado de milho.
            Com Luiz ali parado a sua frente, em uma fração de segundos ela vislumbrou cenas de seu passado, como aquela na pré-escola em que caiu, ralou o joelho e ele ficou um bom tempo soprando a ferida e dizendo que ia passar. Lembrou-se também de todos os trabalhos e tarefas que fizeram juntos. E quando ela deu o primeiro beijo, logo que chegou em casa ligou pra ele contando sua nova experiência cheia de detalhes. Hoje ela pensa que poderia ter sido com ele... e como ela gostaria que tivesse sido! Lembrou-se até mesmo de quando (no ano passado) rompera seu namoro que havia durado mais de oito meses. Ela passara uma semana tão abatida que no fim de semana, com intuito de animá-la, Luiz deu a ela um enorme urso de pelúcia, com a pelúcia mais fofa que já tocara; Luigi foi o nome dado ao urso, já o nome do rapaz... Ela nem se lembra mais.
            “Tudo bem contigo?” Foi a frase que a tirou do transe. Foi então que se deu conta que enquanto revivera bons momentos de seu passado estivera ali inerte olhando pra Luiz. Os dois estavam a caminho da faculdade que, por mais esta coincidência do destino, era a mesma. Não faziam o mesmo curso, mas a faculdade e o ano de curso eram os mesmos.
            “Tenho que dizer alguma coisa” pensou consigo mesma. “Tu-tudo sim” balbuciou tentando soar o mais verdadeira possível, mas não estava tudo bem. Ela sentia que poderia explodir a qualquer momento.
Durante anos Sofia lutara contra aquele sentimento, afinal ele é (e sempre foi) seu melhor amigo; por isso se fechou, bancou a durona (pelo menos pra ele), não expunha seus sentimentos, falava das pessoas como se fossem coisas para evitar apego ou sofrimento... Luiz até lhe dera um “carinhoso” apelido: CORAÇÃO DE PEDRA.
“No que tanto você está pensando, Sofi?” (era assim que ele a chamava) e ele tinha intimidade suficiente para perguntar-lhe isso. Sofia encheu os pulmões de ar, engoliu em seco e sem pensar cuspiu as palavras: “Acho que estou apaixonada”
Ele arregalou os olhos surpreso e curioso ao mesmo tempo. Ela se deu conta do que havia feito, não havia nem se quer feito rodeio, simplesmente jogara em seu colo o fardo que há muito carregava sozinha.
Colocando as mãos nos bolsos de sua calça, curvando levemente a cabeça e levantando as sobrancelhas Luiz perguntou: “Sério? E quem é o cara?”
Sofia sentiu como se tivesse sido jogada um uma piscina com gelo; em questão de segundos sua temperatura corporal despencou. Sentia até mesmo que havia empalidecido. Nem escutava mais seu coração, imaginava se ele poderia ter parado de bater. Mas precisava reagir, Luiz continuava olhando para ela e aguardando resposta. Então ela inflou o peito, endireitou a postura, olhou-o diretamente dentro de seus olhos, plainou sua mão direita no ombro esquerdo dele e disse:
“Uma outra hora a gente conversa sobre isso. Agora vamos acelerar que já estamos atrasados.” E justificou consigo mesma... “guardei isso por tantos anos, por que não mais uns dias?”

terça-feira, 5 de outubro de 2010

FIM DE TUDO

           
            Está quente aqui fora; lá dentro deve estar muito mais.
            Hoje foi o fim de tudo, mas não estou triste, todo fim traz consigo um novo começo.
            Durante anos trabalhei duro; desde os primeiros anos de escola até o último de faculdade. Fiz o mesmo com meu emprego; dava tudo de mim, pouca vida social e não muitos amigos.
            Vivi muito tempo em função dos outros, fazia de tudo para agradar. Fiz a faculdade que minha mãe queria; sempre dei o sangue no serviço, como meu pai fazia. Aceitava quase tudo vindo de meus amigos por conta de minha dificuldade em dizer não. Até mesmo namorei a garota que meu amigo dizia ser ideal para mim. Gostei muito dela... de verdade.
            Esforcei-me mais, juntei uma grana, comprei uma casinha em um bairro ermo (como meu pai queria). Minha mãe a decorou e minha namorada a ajudou... confesso que até pensei em casamento. E então, não mudei só de casa, mas também de rotina. Não vivia mais em função do trabalho somente, mas em função dela também.
            Tudo o que ela desejava e estivesse ao meu alcance, eu lhe dava. E não me refiro somente a coisas materiais, dei a ela todo o carinho e amor que pude, muito além do que recebi.
            Ontem ela me ligou avisando que não estava muito bem, portanto não viria me ver, então sai para tomar um ar, afinal há tempos não andava pela rua (a não ser para levá-la onde queria). Há diversas quadras de casa vi uma cena difícil de digerir, lá estava ela aos beijos com um cara que eu nem fazia idéia de quem era. Minha vontade era esmurrar os dois, mas nunca fui de violência. A raiva corroia meu estômago, eu tinha que fazer algo para liberar toda aquela ira.
            Corri tanto na volta pra casa que mal vi as quadras passarem. Em um acesso de fúria quebrei tudo ao meu alcance; horas mais tarde, cansado de tantos chutes e socos adormeci no tapete da sala. Acordei no meio da tarde e logo percebi o imenso estrago que causara, quase tudo quebrado... a única coisa intacta em minha estante era a maldita garrafa de Tequila importada que ela me dera. Então tive a fatídica idéia!
            Peguei meu celular e liguei para o meu chefe; sem maiores explicações me demiti, ele disse alguma coisa que nem fiz questão de ouvir, desliguei. Abri a garrafa de nome estranho espanholado e dei um gole para cada parte de minha casa. Da porta da rua era possível sentir o cheiro inebriante de álcool. Já do lado de fora joguei para dentro o restinho que sobrara na garrafa, com um lenço em chamas em seu gargalo.
            Posso sentir o calor aqui do outro lado da rua. Ainda bem que não tenho vizinhos.
            Hoje dei fim a vidinha medíocre que levava, e a tudo que me ligava a ela. Amanhã... bom, amanhã será outro dia... por enquanto tudo em que penso é: como nunca reparei quão bela é a cor laranja? Para mim, a cor do fim.  As labaredas laranjas dançam cobrindo toda a casa, o calor acaricia meu rosto cansado. O fogo me trouxe o fim. Meu novo princípio será cinza, porém mais colorido do que nunca e, o mais importante, com as cores que EU escolher!